Cresce consumo de fake news no Youtube

08 out 2020

Fake news. Fênomeno antigo que ganha nova roupagem nas redes sociais. E cresce na área de vacinas.

Desconhecimento sobre produção, distribuição e armazenamento, medo dos componentes e de injeção, são alguns motivos que explicam por que há menos pessoas se vacinando.

Além disso, a busca por informações via redes sociais em vez de fontes oficiais e jornalísticas reforçam as crenças.

Dessa maneira, a conclusão é de um estudo realizado pela professora de conteúdo digital da pós-graduação da ESPM Rio, Isabela Pimentel, sobre Fake News no Youtube e monitoramento de notícias falsas com foco na saúde e vacinação.

“A ideia era entender como os usuários têm consumido conteúdo sem checagem sobre vacinas nas redes sociais”, diz Isabela, que para concluir o estudo analisou vídeos e realizou entrevistas via Skype.

Fake news no Youtube:  depoimentos x fontes oficiais

A plataforma escolhida para o estudo foi o Youtube, principal rede de compartilhamento de vídeos. Por meio das palavras-chave “Vacina Febre Amarela” e “Veneno Mortal” foram analisados comentários e compartilhamentos dos vídeos que tiveram mais visualizações durante os dois surtos de febre amarela no Brasil – março de 2017 e abril de 2018.

Vale destacar que dos entrevistados, entre eles mães que preferem não imunizar os filhos, a maior parte busca informações sobre vacinas em sites não oficiais e nas redes sociais, como Facebook e WhatsApp.

“Muitos afirmaram que após assistirem a reportagens na internet sobre os efeitos adversos de algumas vacinas, como HPV e febre amarela, deixaram de acompanhar os conteúdos na mídia jornalística”, diz Isabela. “Acabam priorizando o WhatsApp como um canal de informação”.

Como entender o fenômeno das fake news no Youtube?

Dessa forma, a pesquisadora explica que vídeos testemunhais, com linguagem simples, aproximam o usuário da sua própria realidade e por isso tendem a ser mais procurados.

Ou seja, para os entrevistados, as campanhas de vacinação promovidas pelo Ministério da Saúde usam termos técnicos, não passam confiança e não têm transparência.

“Essa espécie de empatia existe com a pessoa comum do vídeo e os termos técnicos de especialistas, como infectologistas e epidemiologistas, inibem essa proximidade”, diz Isabela.

Para o estudo, a autora monitorou os vídeos utilizando quatro classificações baseadas pela Agência Lupa de Checagem:

Verdadeiro: Considerado o vídeo publicado por uma fonte oficial;

Verdadeiro, mas:  Vídeo publicado por uma fonte oficial, mas não é explicativo o suficiente;

Contraditório: Vídeo com relatos que parecem verdadeiro, mas duvidosos por não serem provenientes de uma fonte oficial;

Fake: Quando a informação é comprovadamente incorreta e publicada com objetivos de gerar desinformação, descrédito de pessoas e instituições.

Como foi feito?

Assim sendo, para entender os motivos dos entrevistados confiarem mais nas redes sociais que na imprensa tradicional e no Ministério da Saúde, foram exibidos trechos de três vídeos para os entrevistados indicarem o mais confiável:

Um postado no Youtube com o título “Minha experiência de quase morte com a vacina da febre amarela”,   um com o médico Dráuzio Varella e outro do Ministério da Saúde.

 

Confira nessa trilha feita pela Comunicação Integrada em parceria com o Canal  Futura como checar boatos e fake news em saúde.

Confira nossa playtlist sobre Fake news e monitoramento de boatos.

Jornalismo na era das fake news

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Texto: Isabela Pimentel 
*Jornalista, Historiadora e  Especialista em Comunicação Integrada
Imagem: Divulgação

08/10/2020 Isabela Pimentel

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