Fake news e boatos: desafio do assessor digital

27 jul 2017

A temática notícias falsas no meio digital tem sido debatida com frequência entre os profissionais da comunicação, principalmente entre assessores de imprensa, que precisam estar de “olhos abertos” a qualquer ameaça à imagem do cliente.Decidimos abordar este assunto porque está muito claro que as redes sociais mudaram a maneira como consumimos e compartilhamos informação. O problema é que, dentro desse pacote, existem os boatos, grandes inimigos da reputação de uma empresa no meio digital.

Mídias sociais facilitam o compartilhamento de notícias falsas

Com o uso massivo das mídias sociais, principalmente o Facebook, percebemos uma grande mudança na forma como as pessoas consomem informação. Hoje, é muito difícil sairmos de dentro da plataforma para ler uma notícia, pois temos tudo ao nosso alcance com apenas um clique.

O problema é que isso fez com que ficássemos cada vez mais passivos em relação às informações que consumimos. Para completar, pessoas leigas podem até não perceber, mas o que chega até nós na rede social tem muita relação com nossa visão de mundo.

E isso tem um nome. Efeito do filtro Bolha, conceito criado pelo autor Eli Pariser. Quer saber como podemos visualizar isso no dia a dia? Nossa parceira da Comunicação Integrada, Isabela Pimentel, explica utilizando o Facebook como exemplo.

“O algoritmo do Facebook, chamado Edge Rank, é uma fórmula que decide se determinado post de alguma conexão vai aparecer ou não no seu feed. A questão se torna delicada, pois só vai aparecendo em nossa timeline assuntos próximos da ‘nossa bolha’, considerando afinidade, peso do conteúdo e tempo de publicação. Com o tempo, podemos ter acesso e ler apenas visões que replicam a nossa própria, notícias de sites que nossos amigos leem, e por aí vai. O debate público e visões contrárias acabam sumindo do nosso feed”, comenta.

O que acontece nesse cenário é que entramos em contato com conteúdos que preenchem os requisitos desse algoritmo das mídias sociais. É aqui que mora o perigo.

  • Viver na bolha de informação é um problema

Muitas pessoas se aproveitam das bolhas de informação e criam notícias falsas, que vão sendo compartilhadas continuamente por outros usuários.

Afinal, se apareceu em nossa timeline e um amigo ou página que seguimos compartilhou, deve ser verdade, não é mesmo?

A resposta é não. Nem sempre é verdade. O problema do compartilhamento de boatos é tão grave que o próprio Facebook lançou em 2017 uma funcionalidade para denúncia de notícias falsas.

Afinal, as pessoas compartilham notícias com títulos sensacionalistas e informações falsas sem mesmo entrar e conferir se é realmente verdade. Isso é algo capaz de prejudicar a imagem de qualquer empresa.

Isabela deixa uma dica para evitar situações desse tipo. “É sempre útil ler sites de checagem de dados e informações, como a Agência Lupa, que criou um método de fact checking “. Isso vale para usuários leigos e para profissionais da comunicação.

Saiba como o assessor de imprensa pode proteger o cliente de notícias falsas

Por mais que o usuário comum possa conferir se a notícia é falsa, sabemos que a chance disso acontecer é mínima. Afinal, as pessoas confiam naquilo que aparece em suas timelines, já que têm um laço de reconhecimento com a pessoa ou página que propagou a informação.

Portanto, cabe ao assessor de imprensa manter o olhar estratégico para preservar a imagem do cliente. Saber como fazer isso da forma mais eficiente é um requisito para todo profissional da comunicação que trabalha com o meio digital.

Podemos separar as estratégias em 3 categorias, que iremos explicar neste artigo. Mas antes sugerimos que você assista ao vídeo da Comunicação Integrada sobre o compartilhamento de boatos nas redes sociais.

  1. Uso de ferramentas de monitoramento

O primeiro passo é entender que mídias sociais significam instantaneidade. Se um boato é espalhado no Facebook, por exemplo, em questão de minutos as pessoas começam a compartilhá-lo, afetando a imagem de seu cliente.

Portanto, uma forma de proteger a marca assessorada da influência negativa das notícias falsas é investir em ferramentas de monitoramento, que ajudam a verificar o que está sendo publicado e compartilhado com determinadas palavras-chave.

Como exemplos de ferramentas de monitoramento de mídias sociais, temos HootsuiteFanpage Karma e Klout. Elas podem facilitar sua rotina na assessoria de imprensa.

“Somente com o uso de ferramentas de monitoramento, associado a buscas de palavras-chave, é que se pode localizar os principais sites e redes sociais onde o boato está se espalhando. Ninguém está protegido dos boatos, o que vai fazer a diferença é a forma como o assessor irá monitorar e o tempo em que irá dar à versão da empresa sobre os fatos, minimizando a velocidade de propagação da notícia incorreta em outros perfis, grupos e canais”, enfatiza Isabela.

  1. Preocupação com relacionamento

No entanto, o uso de ferramentas de monitoramento não basta na assessoria de imprensa digital. Segundo nossa parceira da Comunicação Integrada, para preservar a imagem de uma empresa nas redes sociais, é preciso ir além da pesquisa de palavras-chave.

É fundamental pensar em estratégias que possam ajudar a potencializar a interação entre marcas e influenciadores, principalmente os que estão inseridos no nicho do cliente.

Hoje, de acordo com Isabela, é fundamental pensar em relacionamento na assessoria de imprensa. Afinal, as marcas não se sustentam com anúncios nas redes sociais, e sim com as interações que conquistamos nesse meio digital.

Quando existe um relacionamento de confiança entre marca, influenciadores e públicos interno e externo, é muito mais difícil que a imagem seja abalada por crises causadas pelo compartilhamento de notícias falsas.

  1. Elaboração rápida de respostas

Quando há o compartilhamento dos boatos, por mais que exista o relacionamento de confiança entre marca e seguidores, o assessor de imprensa deve lembrar que é necessário elaborar uma resposta para explicar a situação.

A manifestação de uma empresa nas mídias sociais é essencial para o gerenciamento de crises de imagem. Afinal, quando a marca elabora uma nota de esclarecimento com rapidez, ela tem maiores chances de reverter o cenário turbulento.

Além disso, Isabela cita a orientação de João José Forni, profissional da comunicação que trabalha com cursos sobre Gestão de crise de imagem. “O especialista afirma que não existe mais separação entre o pronunciamento oficial online e offline. O que a empresa responde em sua fanpage será tomado como versão oficial“, diz.

Por isso, valorize a manifestação da marca nas mídias sociais. Elabore a nota de esclarecimento com muito cuidado, para evitar que a crise de imagem seja agravada.

O cuidado com o compartilhamento de boatos nas mídias sociais é apenas um dos desafios enfrentados pelos profissionais da comunicação na era digital. Por isso, sugerimos o download e a leitura do nosso e-book Muito além do release: desafios do assessor de imprensa digital, elaborado em parceria com a Comunicação Integrada.

Texto: Blog do Assessor 

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27/07/2017 Isabela Pimentel

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