Fake news: 12 dicas e dois softwares para identificá-las

04 dez 2017

A popularização das redes sociais digitais facilitou o compartilhamento de notícias e transformou o cidadão comum em potencial produtor de conteúdo, bastando apenas ter acesso a um dispositivo móvel conectado à internet. Mas, por outro lado, outro fenômeno ganhou maiores proporções: a difusão de boatos.

As redes sociais passaram a fazer parte do cotidiano dos leitores, sendo utilizadas especialmente para troca de informações, muitas vezes, em substituição aos veículos de comunicação tradicionais (RHEINGOLD: 1993).

Cresce o compartilhamento sem checagem

Essa enorme quantidade de dados circulando na web, disponíveis a um clique, nem sempre é devidamente checada. Tal fato é reforçado por um estudo recente divulgado pela Nature, em que se afirma que o alto volume de informações nas redes sociais, associado à limitada capacidade de absorção dos conteúdos, têm contribuído para a proliferação de boatos e notícias falsas no ambiente digital.

Considerada “a mídia mais antiga”, os boatos tiveram, com a chegada nas novas plataformas de comunicação e informação, seu alcance potencializado, não apenas entre grupos próximos, mas para além das fronteiras.

Fake news em cascata

Ocorre que o compartilhamento não é algo isolado, pois estamos em rede e somos vulneráveis. Para Recuero (2007), a opção “compartilhar informação” disponível nas redes sociais comprova a importância da influência que os participantes das redes de contato têm: o que um compartilha acaba sendo percebido como de valor e importante para os demais membros da rede, grupo ou página.

Kleinberg e Easley (2010) denominam“cascata da informação” o fenômeno através do qual indivíduos influenciam uns aos outros, proporcionado pelo efeito de circulação das notícias, em determinados grupos, gerado pela imitação.

 

Redes sociais como fonte primária: cadê a checagem e confronto de fontes na apuração?

No Brasil, depois dos portais online de notícias (69%), a timeline é segunda fonte de informação jornalística principal para 43% dos internautas. De acordo com estudo divulgado em fevereiro de 2017 pela CNT/DMA, 80% dos brasileiros acreditam no que lêem nas redes sociais, sendo que 12,4% dessa informações chegam através do Facebook.

Outro dado interessante, da Pesquisa Consumo de Notícias do Brasileiro revela que 42% dos entrevistados assumiram já ter compartilhado alguma notícia falsa em sites de redes sociais.

Apenas 39% declararam ter o hábito de checar informações antes de repassá-las adiante. É nesse contexto de viralização de mensagens e produção de conteúdo por múltiplos emissores que a detecção de rumores e identificação de suas origem desafia o trabalho dos profissionais que lidam com redes sociais, especialmente devido aos potenciais impactos que essa dispersão pode trazer para a imagem e reputação institucionais.

Softwares podem ajudar na checagem das fake news

Alguns softwares e sites, como o Botometer, desenvolvido pela Universidade de Indiana, ajudam a identificar perfis fakes no twitter, pois, por diversas vezes, tais boatos são disseminados por perfis que são , na verdade, bots.

Outra ferramenta que mostra bem a difusão de boatos e cascatas de informação é a Hoaxy. O bacana é que ela já traz o grafo que representa tais interações e difusão entre os atores na rede.

 

Confira algumas dicas para identificar as fake news e boatos, que tem sido muito compartilhadas nas redes sociais:

1- Cheque a a fonte da informação: essa publicação saiu em outros sites?

2- A entrevista contém fontes confiáveis?

3- Quem deu as declarações? São autoridades no assunto ou perfis fake?

3- Analise o site: esse canal costuma publicar notícias assim, para conseguir likes?

4- Há fontes de apoio que confirmam o que a notícia diz?

5- Verifique a data de publicação: é algo novo ou um boato requentado?

6- Consulte especialistas: procure uma confirmação de profissionais da área;

7- Boatos têm tom alarmista e começam com palavras como “Alerta” , “Atenção”, “Urgente”, geralmente grafados em caixa alta (maiúsculas);

8- Nessas notícias, falta de referência temporal clara (não é possível saber de quando são os dados da notícia);

9- As fontes e os entrevistados estão ocultos no texto?

10- Notícias fake e de sites sensacionalistas geralmente possuem erros de português;

11- Há link ou citações às instituições científicas?

12- Há indicação das pesquisas que foram usadas para embasar a reportagem?

CHEQUE ANTES DE COMPARTILHAR! VAMOS LÁ?

 

Texto: Isabela Pimentel 
*Jornalista, Historiadora e  Especialista em Comunicação Integrada

Imagem: Divulgação  

04/12/2017 Isabela Pimentel

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