Análise: gerenciamento de crise nas águas do Rio

04 fev 2020

Falta transparência na água e na informação. Há mais de vinte dias, a população carioca vem passando uma série de dificuldades para ter acesso a um bem essencial: água pura e potável.

Para quem não acompanhou, desde princípio de janeiro desse ano, a água encanada distribuída pela Companhia Estadual de Águas e Esgotos do Rio de Janeiro (Cedae) tem chegado a diferentes partes da Região Metropolitana com coloração e sabores alterados.

Em meio a falta de informação, boatos, que não necessariamente são informações falsas, mas apenas ainda não apuradas e que nascem em momentos de crise como esse, começaram a circular nas redes sociais. Alguns afirmavam que era para colocar a substância x ou y nos filtros, outros que isso era errado.

Mas, enquanto isso, entre um boato e outro, a população, SEDENTA de água pura e informação, continua recorrendo às redes sociais e a imprensa para denunciar a situação caótica que o Rio de Janeiro vem vivenciado:

  1. Falta de água para venda nos mercados;
  2. Os poucos mercados que tem água a venda estão cobrando preços abusivos;
  3. Nas escolas, as crianças precisam levar água de casa;
  4. Não se pode cozinhar com a água da bica, então os gastos com água engarrafada vem pesando no orçamento…

No dia 10 de janeiro, a Cedae emitiu um pedido de desculpas à população, no momento em que a presença da geosmina, tipo de alga, foi realmente confirmada.

Após esse fato, foi anunciada a aplicação de carvão ativado pulverizado no início da estação de tratamento para amenizar o problema.

O que já parecia uma situação complicada de falta de informação, demora nas respostas e descaso com a população apenas piorou quinze horas atrás, quando foi encontrado DETERGENTE nas águas do Guandu, veja notícia abaixo:

Cedae interrompe produção de Guandu ao detectar detergente em manancial e pede que população economize água

Analisando a situação do ponto de vista do gerenciamento de crise, que é o conjunto de medidas postas em prática quando a crise já está em curso, vemos:
  1. Uma sala de imprensa paralisada e que não reflete as necessidades informativas e em tempo real da população https://www.cedae.com.br/galeria_multimidia
  2. Redes sociais em que comentários da população furiosa vem sendo complemente ignorados, ao passo que notícias sobre obras e feitos continuam sendo divulgados. Veja em https://www.instagram.com/cedaerj/
  3. Demora no atendimento à imprensa;
  4. Falta de uma estratégia de gerenciamento de crise que contemple não apenas esclarecimentos na mídia tradicional (TV tem sido muito usada), mas redes sociais e mídias digitais.

Considerando a matriz de risco e as partes impactadas, que são milhares de família, era esperando , nesse momento de gerenciamento:

  1. Atendimento aos impactados;
  2. Informação clara e precisa;
  3. Mais transparência sobre resultados dos laudos;
  4. Mais transparência sobre o Plano de Ação e próximos passos.

Qual seu parecer sobre essa crise?

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Texto: Isabela Pimentel 
*Jornalista, Historiadora e  Especialista em Comunicação Integrada
Imagem: Divulgação

04/02/2020 Isabela Pimentel

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