Memória e sua força, em tempos de esquecimento

04 jul 2015

Cegos de tanta informação. Assim caminhamos pelos trilhos enferrujados das antigas mídias e nos deparamos, assustados e com os olhos ainda ofuscados nas nuvem de bytes.

Na contramão da história e da memória, as organizações seguem produzindo seu conteúdo institucional, focando apenas em si mesmas, tal qual o mito de Narciso, ao mirar-se em um rio. É eficaz um discuso tão unilateral? É nestes tempos que a memória vem com força, como uma arma ante o esquecimento, provando que o que não envolve e toca o coração não é retido pelas lembranças. Após termos passado pela economia do presente, onde o homem pré-histórico precisava consumir tudo que tinha e viver o “agora”, pois não sabia como armazenar posses; ver nascer a ideia de propriedade, na economia do espaço;  e o tempo ser alterado pelo ritmo das máquinas, na revolução industrial, vivenciamos o que Herbert Simon denominou “economia da atenção”.

Para o especialista, esta fase se relaciona à fartura de informações recebidas diariamente e a atenção de quem as consome se torna um bem escasso. A riqueza de notícias e dados, para Simon, criaria uma pobreza de atenção e uma necessidade de esforço maior para se concentrar naquilo que realmente merece ser lembrado e retido.

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 A riqueza de informação traz consigo a pobreza de atenção.
O que fica, então, na memória?

E como as empresas tem contado suas histórias neste contexto? O desafio de produzir conteúdos para projetos de memória empresarial torna-se ainda maior diante das novas plataformas e tecnologias, já que uma multiplicidade de fontes de informação compete entre si pelo tão citado bem escasso da atenção. Ainda assim, há organizações que continuam acreditando na força da história oficial e dos discursos vindos das mais altas cúpulas.

A memória empresarial e as estratégias de storytelling, presentes em campanhas recentes, como as do Citi Bank 100 anos e Carrefour 40 anos, vem mostrar que a força da voz que ecoa nos corações não vem apenas dos documentos antigos e de relatórios técnicos de grandes obras: o poder de produzir a história está nas mãos das pessoas que compõe a empresa, independente de sua função.

Não basta iniciar um projeto de memória empresarial e deixar de  envolver os colaboradores e a divulgação interna do mesmo, pois os documentos por si só nada significam além de dados, se não tocam a alma dos colaboradores. Entre boletins internos, postagens no Facebook e fotos no Instagram, os conteúdos de cunho emocional e histórico são os que mais se destacam.

É a memória empresarial, lutando para não ser deixada de lado em sua completude, em tempos de esquecimento:  trazendo a história para o presente, para ajudar a reter o que será digno de ser lembrado no futuro.

 

Texto: Isabela Pimentel
Imagem: Borayu 

 

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04/07/2015 Isabela Pimentel

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