Novas tecnologias ampliam divulgação científica

12 out 2014

Escrever sobre ciência hoje é bastante diferente do que era décadas atrás. Com o advento das novas tecnologias, tornou-se possível o acesso a mais informações, favorecendo o trabalho do jornalista.

“Não apenas as fontes podem ser acessadas com maior facilidade, mas, sobretudo,  o número de espaços de divulgação (portais, blogs, newsletters etc) aumentou consideravelmente”, afirma o professor e jornalista Wilson Bueno. Para Bueno, a facilidade de acesso às novas ferramentas exige maior vigilância por parte do jornalista ou do divulgador científico porque há fontes sem credibilidade e comprometidas com interesses de toda ordem (empresariais, políticos, de grupos etc) disponibilizando informações na web, com o objetivo de confundir a opinião pública e subsidiar ações de lobby, nem sempre legítimas.

Redes sociais

Se, por um lado,  ter mais informações disponíveis facilita a apuração, é neste momento que entra em cena uma das maiores contrariedades da era 2.0: a credibilidade da informação.  “A relação entre cientistas e jornalistas, mediada pelas novas tecnologias,  tem merecido incremento, mas permanecem desconfianças devido a inúmeros fatores, como a falta de capacitação de muitos jornalistas e divulgadores cientificos; a restrição, que julgo conservadora, mas justificada em determinadas situações, de cientistas em relação à divulgação científica; o sensacionalismo de determinados espaços utilizados para divulgação científica (portais e blogs, programas de rádio e TV, jornais e revistas etc) e mesmo a falta de disposição para uma efetiva parceria em prol da democratização do conhecimento científico”, alerta.

FotoBuenoboamenorO especialista acredita que, neste cenário, as redes sociais tem o poder de sensibilizar para a necessidade de políticas públicas voltadas para a divulgação científica, ampliar o processo de circulação de informações (pesquisas, fontes etc) em ciência, tecnologia e inovação e, em fanpages com credibilidade, oferecer novas pautas para notícias e reportagens. “Em grupos fechados, no Facebook, por exemplo, podem favorecer a interação e a troca de informações (links, resultados de pesquisas, fontes, publicações etc) entre jornalistas que cobrem a área e entre pesquisadores e cientistas”, aponta.

Uma relação de confiança

Apesar do aumento dos debates sobre a  importância do jornalismo científico, diversos cientistas temem fazer declarações à  imprensa e ver o resultados de suas pesquisas serem divulgados de forma incorreta ou sensacionalista.  Bueno explica que jornalistas competentes e cientistas que reconhecem a importância da divulgação científica têm estabelecido parcerias recompensadoras, particularmente porque contribuem para o incremento do volume de informações qualificadas de ciência, tecnologia e inovação.

E a capacitação do comunicador social tem papel central neste processo.  “É preciso lembrar que jornalistas têm se capacitado para esta cobertura e muitos deles têm hoje,  inclusive,  formação superior avançada (mestrado, doutorado), o que  facilita esta interação e este diálogo com os pesquisadores”, destaca.

Ele cita o caso das Fundações de Amparo a Pesquisa (FAPs), como as de  São Paulo, Minas Gerais, Rio de Janeiro, Pará, Amazonas e Bahia, como entidades que atuam financiado projetos para qualificar e ampliar a divulgação científica e que, com isso, tem estimulado a interação e o reconhecimento do papel do divulgador científico. “A confiança deriva de uma relação em que ambas as partes estejam em sintonia com o mesmo objetivo. Para mim, esse objetivo deve ser a democratização do conhecimento científico, a divulgação das pesquisas de qualidade produzidas em universidades, institutos e empresas”, conclui.

 

Texto:  Isabela Pimentel

Imagem: Getty Images / Acervo Pessoal – Wilson da Costa Bueno

 

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12/10/2014 Isabela Pimentel

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