Uma nova era para os sites institucionais

27 set 2015

Com a diversificação dos conteúdos e segmentação dos perfis, as empresas estabeleceram novas formas de se comunicar com seus públicos estratégicos. Para Alyssa Hopp, diretora geral da Buzz Comunicação, o momento é de “morte” dos sites institucionais como elemento único ou principal para falar com os stakeholders. Para Hopp, uma outra consequência causada pela revolução das novas tecnologias é o desafio da informação, comunicação e relacionamento, em uma sociedade multiconectada e “multiplatafórmica”, na qual as possibilidades de interação entre pessoas e marcas perpassa os canais tradicionais de comunicação e acaba se sedimentando em um ambiente digital, com possibilidades de muitas formas de acesso simultâneo e fontes de informação.

“O site tradicional não cabe mais nessa realidade. As pessoas buscam personas que representem a personalidade de uma marca em ambiente digital. Neste contexto, o site institucional precisa se transformar e evoluir para um ambiente que sacie este desejo de informação plural, confiável, interatividade e personalidade, ou então continuará definhando”, destaca.

A especialista acredita que a comunicação institucional não é mais suficiente para construir credibilidade junto ao público e essa lacuna é preenchida pelas novas redes, que “oferecem a possibilidade de simulação do ambiente real, com críticas, elogios, reclamações e falhas que podem ser corrigidas publicamente, sendo, então, uma janela transparente, na qual é muito mais importante ver o que está além, ao invés do que está refletido”, pondera.

Para fortalecer a imagem da empresa, Hopp aconselha que a empresa pense em uma estratégia de comunicação e marketing multiplatafórmica, considerando onde o cliente está, o que ele faz, como se relaciona e como se comunica naquele ambiente e, então, buscar o espaço da marca.

alyssa-hoppNo caso dos sites, é preciso integrá-los neste cenário de interatividade e pensar em um ambiente que auxilie o cliente ou potencial cliente no processo de decisão ou consumo dos produtos e serviços com a marca. “Ninguém entra em um site toda semana para ler o ‘quem somos’, ‘visão institucional’, ‘missão, visão, valores’, ou notícias do mês passado. Este ambiente deve apresentar soluções para o cliente. Ter site só por ter um não é mais coerente”, afirma.

A diretora da Buzz considera que empresas da área de saúde (clínicas, hospitais e profissionais), bem como dos setores de bem-estar, beleza e construção civil tem se saído muito bem ao focar sua atenção em plataformas digitais interativas, como blogs, fóruns, aplicativos, tecnologia de realidade aumentada, games, tour 360, mídias sociais e DOOH. “Atualmente, percebo o Instagram como um dos principais canais digitais para interação e relacionamento. A taxa de engajamento sem anúncios chega a ser 54 vezes maior que o facebook. Além disso, é sabido que nós lembramos 90% do que vimos e 30% do que lemos, por isso o grande atrativo do Instagram. Com os aplicativos certos e a estratégia adequada, qualquer segmento pode potencializar seus objetivos quantitativos e qualitativos com a produção de vídeos, fotos e apresentações extremamente atraentes e se destacar frente à concorrência”, conta.

Apesar de tantas tecnologias, o site institucional continua existindo em áreas mais tradicionais, nas quais a informação e o perfil institucional são essenciais para a tomada de decisão no processo de compra, como economia, consultoria e automotivo, por exemplo. Todavia, em todos os casos, é preciso pensar nesta plataforma (site) como uma ferramenta complementar e personalizada, que deve atender às necessidades, expectativas, anseios e modo de consumo do público-alvo.

Confira as dicas da especialista para atingir os públicos de forma eficaz em uma estratégia de comunicação integrada:

1- Entender profundamente as necessidades e expectativas do seu cliente com a sua marca e seu produto – somente assim será possível traçar uma estratégia que seja, de fato, eficiente.

2- Construir uma imagem institucional que represente, de fato, a persona da marca – não adianta “parecer ser” se, de fato, você não é. Pode até dar certo em um primeiro momento para chamar a atenção do seu público, mas em médio e longo prazo não auxilia na construção de um relacionamento duradouro, pelo contrário, dificulta.

3- Ter um olhar multiplatafórmico e simples – cada vez mais as pessoas buscam informações simples, diretas e precisas sobre suas dúvidas e necessidades. Esteja lá para fornecê-las sempre e onde seu cliente está. Um aplicativo de celular, bons perfis nas mídias digitais mais relevantes a ele, linguagem simples e acessível (que é diferente de simplória)

4- Seja criativo – criatividade não quer dizer gastar rios de dinheiro ou ser absolutamente inovador. Melhorar os processos de atendimento para que eles sejam mais ágeis e eficazes é uma grande inovação frente à concorrência. Além disso, busque maneiras diferentes de interação com seu público nas ferramentas já existentes. Um excelente exemplo é a marca Ikea, que em 2014 fez um maravilhoso site no Instagram utilizando a função de marcação (@) e em 2011 teve um maravilhoso case de sucesso de lançamento de uma nova loja em Estocolmo com a utilização da ferramenta de menção (@) do facebook. Ou seja, ferramentas que já existem foram utilizadas de modo inovador e criativo.

5- Envolva seu cliente no processo de criação (cocriação) – o design thinking é uma excelente metodologia que possibilita o envolvimento do público consumidor de um produto ou serviço em todas as etapas de seu processo de desenvolvimento ou fabricação. Mais que isso, envolva seu cliente no dia-a-dia de sua estratégia, traga-o para o centro das atenções, das câmeras, dos posts de modo a corroborar com a imagem que você quer construir.
Texto: Isabela Pimentel

Imagem: Chocolate Fotografia

 

27/09/2015 Isabela Pimentel

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