Uma boa parte das nossas escolhas em sociedade são decisões reputacionais. Já pensou nisso?

27 ago 2019

A história nos conta que nos Estados Unidos em 1992, James Carville, então assessor da campanha de Bill Clinton tinha que orientar o foco estratégico da campanha de Clinton contra a possível reeleição do presidente George Bush (1992).

Após muito estudar os dilemas da economia americana, suas perspectivas e desafios ele cunhou a expressão “É a economia estúpido”, que tinha como conceito central focar nos problemas da economia e nos caminhos para a recuperação, compreendendo que se a economia vai bem tudo que gravita ao seu redor tem uma probabilidade de seguir caminho idêntico e melhorar. Assim se fez a história.

Costumamos dizer que apesar de muito se falar em vários termos novos no mercado de comunicação, como inbound, funil de vendas, growth hacking, webseries, influencers, UX, storytelling e mais um punhado de conceitos novos e relevantes, o que vale no final das contas é a força da marca e a sua reputação. Resumindo: uma boa parte das nossas decisões, são decisões reputacionais.

Vamos pensar em alguns exemplos. Pense na sua vida:

O aplicativo que você escolhe para se locomover do ponto A para o ponto B, o serviço de delivery que você escolhe para pedir comida em casa, o streaming que você usa e tudo, tudo mais são decisões reputacionais. Como você vai decidir a próxima série que você vai assistir? Por uma escolha científica ou pela recomendação dos seus amigos?

Se em vez de decisões de consumo, pensarmos na decisão de investir uma parte das nossas reservas financeiras no Banco A ou B, de usar o serviço de determinada empresa de telecom ou comprar uma nova roupa, passam invariavelmente por decisões reputacionais. Ou você vai colocar as suas reservas em um banco não recomendado pelos analistas financeiros? Claro que não.

Imagine que você abriu o site da comunidade de negócios que você participa e percebe que existem duas vagas de trabalho muito bacanas. Desafios interessantes com possibilidades de crescimento futuro. Salários atraentes. Porém uma empresa tem uma boa reputação e a outra empresa, bem essa acabou de passar por uma etapa da operação Lava-Jato. Para qual empresa você vai aplicar? De novo, essa sua decisão teve ainda que de forma subjetiva um filtro reputacional muito forte.

Está pensando em fazer um novo MBA ou fazer uma especialização no exterior? Você pesquisou bastante e percebeu que uma determinada Universidade tem uma avaliação muito positiva perante os profissionais de RH e/ou gerentes das consultorias de gestão de talentos. Esse fator não vai contar na sua decisão? Claro que sim.

Mas você pode não ter gostado dos exemplos. Está próximo das suas férias e quer pensar na sua próxima viagem com a família. Entrou no seu site de viagem e a empresa aérea XYZ está com um preço bastante atraente em comparação com a empresa ABC. Porém viajar pela ABC Airlines tem um elevado grau de recomendação dos seus amigos mais próximos. Em qual empresa você vai decidir voar?

Se os nossos CEOs entendessem o conceito de reputação e a força que ela gera para a organização, não teríamos tantos problemas e crises, porque entenderíamos que gerar reputação é construir valor e perenidade para as organizações. Porém para sermos eficazes neste processo, como diz o guru de Gestão, temos que medir e criar indicadores. Porque o não se mede não se gerencia.

Tentando trazer para os dias de hoje a frase de James Carville, é a reputação o ponto de partida e o ponto de chegada. Pense nisso.

Esperamos que esse post ajude a você a gerenciar de forma mais apropriada a sua reputação. Dúvidas? Fale conosco pelo Inbox.

 

Isabela Pimentel é especialista em mídias digitais e professora da FGV e ESPM

Dario Menezes é professor da FGV, da ESPM e Diretor Executivo do GroupCaliber, consultoria empresarial especializada em gestão da marca e da reputação (www.groupcaliber.com.br)

 

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27/08/2019 Isabela Pimentel

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