Comunicação integrada vai além de informar

01 out 2020

Comunicação integrada vai além da informação. Muitas vezes, como nos traz o autor Dominique Wolton, confunde-se as dimensões de informar e realmente comunicar. Acredita-se que  a informação é séria, a comunicação não. Mas, comunicação integrada é séria sim e super relevante nos dias atuais, aliás,  vital como nunca!

Ou seja,  precisamos rever essa falsa ideia de que comunicar = informar.  Não é possível haver informação de qualidade sem um projeto bem estruturado de comunicação.

Wolton traça uma linha histórica da evolução da tecnologia e considera a confusão entre informação e comunicação um dos grandes paradoxos dos nossos dias: a onipresença de tantas tecnologias que potencializa a emissão de mais informação não contribuiu , de fato, para superar os gaps de comunicação.

Não reduza à informação ao aspecto técnico

É uma ideia incorreta achar que basta informar sempre e mais, e mais rápido, para melhorar a comunicação e favorecer o relacionamento entre marcas, clientes e empresas.

Enquanto informação é a mensagem,  comunicação é relação, fruto de troca, convivência e negociação (fluxos e sentidos), indo muito além da emissão de um código.

“O desafio hoje é menos de compartilhar o que temos em comum do que aprender a administrar as diferenças que nos separarm”, afirma.

Se no século XIX vivemos a revolução da informação e no XX as  novas tecnologias que potencializaram a comunicação de massa, temos agora o desafio de informar menos e comunicar mais.  Se almejávamos a aldeia global, para Wolton, acabamos caindo na torre de babel, ao focar apenas no emissor e esquecer do papel do outro, erroneamente muitas vezes chamado de ‘receptor’.

Nesse cenário de foco apenas na quantidade de conteúdo e na emissão de informação, a comunicação vira uma raridade gerando uma sensação de deslocamento e falta de engajamento.

Informação e modelos 

Wolton nos apresenta três formatos de informação: oral, imagem e texto, e na categoria texto, a informação -noticia, a informação-serviço e a informação-conhecimento.

Ao invés dos modelos matemáticos que minimizam o papel do receptor enquanto passivo, para Wolton, um dos pressupostos da comunicação é a negociação, hierarquização e ressignificação por parte do receptor, o qual chama de ‘receptor-ator’.

Nesse jogo complexo de trocas e feedback, é preciso pensar na incomunicação como uma possível consequência de uma tentativa de estabelecer a comunicação. Por isso, não podemos reduzir a comunicação à performance técnica,  de quantidade e nulidade do outro: é preciso considerar sempre o horizonte do outro, pois além do aspecto informacional, há o cultural e o antropológico.

Na sociedade da interatividade e velocidade, a comunicação deve reforçar o laço social  e promover trocas, estabelecendo vínculos entre o cidadão e as empresas.  Além disso, Wolton considera que é essencial retirar a informação e comunicação do mero âmbito da tecnologia  e da performance de ferramentas (aspecto tecnicista)  , pois não necessariamente a chance de transmissão ao vivo e interação produzem verdadeiros sistemas de comunicação.

Nas solidões interativas, diversas pessoas consomem conteúdos de marcas em alta velocidade, sem ressiginificá-los ou ter suas vidas transformadas por ele.  Sendo um mero suporte da informação, o conteúdo, para engajar, precisa reforçar os laços sociais.

O valor do outro

Figura de alteridade e ator essencial, o outro precisa ser sempre ouvido e considerado para que haja um real processo de comunicação.  Nessa perspectiva, a interatividade enquanto recurso não pode ser considerada garantia e nem substituto da comunicação humana.

Assim, na busca pelo furo, na cultura do volume e da pressa,  há uma confusão entre a qualidade do conteúdo e o valor que ele terá na vida de quem o ressignifica.  Velocidade e volume não podem ser confundidos com qualidade e pluralismo.

De forma certeira, para Wolton,  ‘comunicar é cada vez menos transmitir e cada vez mais negociar, compartilhar e conviver’, respeitando a pluralidade, diversidade e conhecimento, pois, caso contrário, é apenas  mais um excesso.

Informação precisa ser pensada no contexto da comunicação e cultura, caso contrário, o excesso de conteúdo nos leva a um zapping interativo e sem sentido.

Dessa forma, a comunicação precisa ser vista como um aprendizado diário de convivência em um mundo repleto de excesso de informação.

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Texto: Isabela Pimentel 
*Jornalista, Historiadora e  Especialista em Comunicação Integrada
Imagem: Divulgação

01/10/2020 Isabela Pimentel

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